Partindo do ponto temos a dimensão zero. Equivale ao nada. Nada existe em um ponto. Um ponto é simplesmente nada.
Embora seja nada, o ponto é o início de tudo, literalmente o ponto de partida do universo polidimensional.
Desdobrando o ponto, temos uma dimensão, a reta. A reta é a primeira dimensão onde pode existir algo diferente do nada. A projeção da reta na dimensão abaixo, o ponto, é um ponto. Ou seja, nada. Nada existe abaixo da primeira dimensão.
Um ser unidimensional viveria apenas em uma dimensão, como se a vida só tivesse um caminho...
Desdobrando a reta, temos uma segunda dimensão, o plano. Duas dimensões ortogonais. O ser unidimensional para ver a segunda dimensão deveria desdobrar sua visão, algo impossível para este ser, preso em sua unidimensionalidade.
Um ser bidimensional vive num plano, a união de infinitas retas paralelas. Infinitos universos unidimensionais paralelos separados por membranas infinitesimais. Podemos chegar a conclusão que um ser bidimensional seria formado por infinitos seres unidimensionais que vivem em dimensões unidimensionais paralelas.
Desdobrando o plano, temos uma terceria dimensão, o cubo, a nossa realidade... Cada um de nós sendo formado por infinitos seres bidimensionais que vivem em dimensões bidimensionais paralelas... Somos a união de infinitos seres que vivem em dimensões paralelas abaixo da nossa realidade tridimensional. Como podemos vê-los? Basta olhar para nós mesmos que estaremos vendo a todos... sendo impossível separá-los para vê-los individualmente, fazendo parte de uma união perfeita sem margem para separações, pois não existem lâminas infinitesimais...
Estamos presos neste cubo, não podemos desdobrar nossa visão para ver a outra reta ortogonal da quarta dimensão, devido a nossa limitação tridimensional.
No entanto, podemos ter uma certeza... existe um ser tetradimensional que é a união de infinitos seres tridimensionais que vivem em dimensões tridimensionais paralelas, dimensões estas separadas por membranas infinitessimais, que estão aqui ao lado, mas não podemos vê-las... somos parte de algo maior, que se une em um único ser...
Desdobrando o cubo...
Desdobrando o ...
Desdobrando até o infinito, existe um Ser que é a união de todos os infinitos dimensionais paralelos... desta forma, podemos concluir que somos todos parte deste Ser de infinitas dimensões...
Então o que seriam as dimensões? Seriam apenas uma ilusão ou abstração de Algo de dimensões infinitas, dando a ilusão da existência de universos dimensionais paralelos, quando na verdade o paralelismo não existe, mas sim o Infinito?
Para o Algo com dimensões infinitas, o conceito de dimensão não existiria, possuindo uma forma que extrapola o conceito de dimensão? Ou seja, sem ilusões, sem limitações, simplesmente Ser em toda totalidade?
O que seria esta ilusão das dimensões? Seria nossa limitação para entender e enxergar o Todo?
Seria possível se desdobrar para ver as outras dimensões? Este desdobrar não seria apenas elevar o nível de consciência sobre o Todo e, no nível mais elevado, se identificar como sendo, não parte, mas o verdadeiro Todo?
Seria esta a conclusão do grande poema de Gregório de Matos Guerra?
"O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga, que é parte, sendo todo."
(Gregório de Matos)

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