sexta-feira, 27 de abril de 2012

Dúvida

Dúvida

No horizonte não vejo a luz
No mar só o infinito
Não sei o que me conduz
Só sinto esse conflito

O que esperar desse momento?
Algo estranho que me domina
Como acabar este tormento?
Sem saber quando termina

Fico a pensar neste dilema
Como acalmar meu coração?
Esta vida é um problema
Que nos trata sem compaixão

São mais frequentes esses instantes
Cada vez mais duradouro
Sigo por caminhos errantes
Ou, como o gado, ao batedouro

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Perdido

Perdido

Perambulo pela praça
Pensamento a me dominar
Vejo meretrizes fazendo arruaça
Com nenhuma delas vou amar

Perambulo pelos botecos
Pensamento a anos luz
Vejo vários travecos
Nenhum deles me seduz

Perambulo pelas praias
Pensamento com mente aberta
Vejo garotas com minisaias
Nenhuma delas me desperta

Perambulo pelas ruas
Pensamento com humildade
Vejo pessoas muito puras
Mas, não tenho afinidade

Perambulo pelo mundo
Pensamento que não perdôo
Vejo um vazio profundo
E a mim, mesmo, magôo

Perambulo pela casa
Pensamento que me faz sofrer
Vejo a pessoa que eu mais amava
Que me fez enlouquecer

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Criatura

Criatura

Criador do universo
Deu ao homem o sopro da vida
Animal controverso
Com uma costela atrevida

O conhecimento, não pode obter
Grande ameaça se tornará
Proibido é que vai ser
Desse fruto, não comerá

Ousada, curiosa e bela
Carne do homem, essa flor
Nada poderá contra ela
Burlou a ordem, sem temor

Pobre homem, ora por deus, dominado
Agora, é da mulher, falso senhor
Ao calcanhar dela será acorrentado
Condenado a suplicar por seu amor

Quando despertou a consciência
Com a percepção adquirida
Reconheceu sua existência
Antes, proibida

Como pôde se atrever, querer saber
Concorrência não pode haver
Algo tem-se que fazer
Ficou o criador, a temer

Algo pior será
Se a vida eterna, conseguir
Não se pode imaginar
Ver a criatura progredir

Lançado à terra, pôs-se a caminhar
Eterno não pode ser
Caso consiga, pode-se imaginar
Novos deuses irão nascer

terça-feira, 24 de abril de 2012

Das Coisas

Das Coisas
Nesse mundo ou dimensão
Ou noutro lugar qualquer
Sempre haverá a ilusão
Do que se vê, do que se é

Nesse mundo das coisas
Cada um é isolado
No mundo das idéias
Tudo está interligado

Nossa mente se apaga
Nosso corpo desfalece
Quando a vida naufraga
O verbo permanece

De um sopro se fez carne
Com sentidos racionais
Criatura, não se acovarde
Pois existe muito mais

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Partida

Partida

Vida, que aprendo
Mundo, que me ilude
Viver é um tormento
Morrer, uma virtude

Triste, vou caminhando
Sem destino para chegar
Pensamento, me torturando
Solidão, a me aprissionar

Coração sem remendo
Mente em devaneio
Nada mais acalento
Nada mais anseio

Nada penso
Nada sei
Sem senso
Partirei

domingo, 22 de abril de 2012

Vida dividida

Vida dividida


Talvez seja insegurança
Talvez seja devaneio
Mas, como ela alcança
Viver uma vida ao meio

Sentimentos diferentes
Com dois por perto
Momentos ausentes
Num futuro incerto

Nessa indefinição de vida
Nesse viver egoísta
A felicidade está de partida
Somente a tristeza se conquista

No pior, penso com terror
Não sei quanta verdade ela poderá aguentar
Poderá se perder no seu mundo interior
O que me faz, em silêncio, suportar

O que é verdade
Por mais que se esconda
Mais cedo ou mais tarde
É inevitável que a vida lhe responda

Então, é certo de suceder
Quando menos perceber
O destino lhe surpreender
É os dois, perder

Solidão

Solidão


Vivo só, somente na alma
Nada completa tamanha ausência
Horas passam numa falsa calma
Vidas passando, sem urgência

Olho pra fora, vejo o nada
O nada estático, que permanece
Infinito universo, que não se acaba
E aqui dentro, meu mundo padece

O que é a vida, senão um estímulo
Com a sua partida, meu eu sucumbiu
Sem ela não vivo, apenas simulo
Um viver, que uma vez existiu

Auto-crítica

Auto-crítica


Estranho sentimento
Difícil definir
Tua alegria ou tormento
Tens que decidir

Tu és sua escrava
Nas suas garras te domina
No teu peito, crava
O que a ti, te destina

É um juiz cruel
Uma bela música a se ouvir
Pode te levar para o céu
Pode te destruir

É sua melhor amiga
A voz que te condena
Sua pior inimiga
A mão que te acena

Depende de ti
Onde lhe quer levar
Pode te fazer sorrir
Pode te fazer chorar

Adeus

Adeus


Pensei nela
Pensei na vida bela
Pensei viver com ela
Pensei morrer por ela

Foi difícil imaginar
Que um dia poderia acabar
Uma vida, a sonhar
Uma paixão vivida para amar

Culpa minha, eu sei
Gestos meus, que não pensei
Momentos de loucuras, eu bem sei
Mas, a ela jamais trairei

Não dá para continuar
Não sei se conseguiria ficar
Com alguém que me faz corar
Quem se perde no que é amar

Sentimentos confusos
Pensamentos sofridos
Rodando como parafusos
Numa ciranda sem sentidos

Não sei quem ela é
Não sei se a conheço
Não sei o que ela quer
Não sei se a mereço

Sua escolha está definida
A cada dia um passo a mais
No seu futuro, para mim, não há vida
Agora, para mim, tanto faz

Não sei se voltarei
Pois, não sei onde estou
Não digo que sumirei
Pois, não sei para onde vou

Com a mente vazia
Só sei que sigo em frente
Por ela, ainda esperaria
Mas vou com a solidão, somente

Crise de Pânico

Crise de Pânico


Certeza vazia
Que insiste na mente
Dúvida que confidencia
E permanece presente

Não sei o porvir
O que será jamais
Que me faz cair
Em delírios sentimentais

Vem o medo
Que toma conta da gente
Vislumbrando um segredo
Que virá de repente

Não vou resistir
Ao que me aguarda na frente
Será necessário engolir
E permanecer impotente

Desilusão

Desilusão


Vida, porque nos testa?
Nos caminhos do coração
Sempre abrindo fresta
Rasgando sem compaixão

Olho para ela
Não consigo deixar de ver
Nas brechas da janela
O que ficou por resolver

Ontem, canção tão bela
Despertar de um sol no horizonte
O que recebi dela?
Tenho medo que me confronte

Amor, que parece ser
Com o tempo se mostra
Difícil de descrever
Aquilo que nos prostra

Só sei que dela pensei
Que jamais sentiria
A certeza que naufraguei
E que meu coração, partiria

Esperança

Esperança


Vida passando
Ventos soprando
Nuvens voando
Céu limpando

Olho em frente
E a vejo, presente
Lágrima ausente
Nesse mundo, tão, da gente

Caminhos trilhados
Corpos ligados
Lábios colados
Em versos rimados

Quero te ver
O seu amor merecer
Me fazer enlouquecer
De seu mel, beber

Perdão

Perdão


Sei que seu amor, já não mereço
Ela tem todos os motivos para me deixar
Fui mau com ela e me entristeço
Pago pelos meus atos sem pensar

Espero que ela não me condene
Rogo para que ela me dê apreço
Pois quem ama teme
Se eu a perder, padeço

Grande tolo fui, para desprezar
Quem tem um grande amor para me dar
Espero que o destino não me venha a condenar
Sozinho, para sempre, iria penar

Quem perde, reconhece
Como era grande o amor
Agora vejo que ela padece
Mereceria o seu rancor

No fundo do meu peito sempre existiu uma flor
Que quero regar por toda a vida
Para nunca deixar morrer esse amor
E superar minha dor, sofrida

Desejo

Desejo


Quando penso nela
Um calor me sobe pelo corpo
Como um barco que infla a vela
Singrando um mar de fogo

Quase não consigo segurar
Tanto amor que tenho para lhe dar
Mas continuo a trabalhar
E fico aqui sozinho a imaginar

Cobrir-lhe de beijo
É o que mais desejo
Amá-la até desfalecer
Agarrada ao seu corpo, de prazer, morrer

Saudades no mar

Saudades no mar

Anoiteceu, só vejo a escuridão
No horizonte, a imensidão
Olho para o céu, não vejo estrelas
Somente a solidão

Só tenho no meu pensamento
O meu desejo de estar com ela
Para acabar com este tormento
Olho para a lua, tão bela

Solitária lua, que mergulha no mar
Onde será que meu amor está?
Não vejo a hora de chegar
E com ela, ficar

O tempo se arrasta
Dias e noites sem fim
Queria dar um basta
Mas, a vida é mesmo assim

No balanço do mar
Ouço uma sereia sorrir
É Yemanjá
Que me consola e faz dormir

Queria, com meu amor, sonhar
E quando acordar
Para perto dela, voar
E para sempre amar